sexta-feira, 27 de junho de 2008

Garagem


Garagem:


Isso aqui é uma vitrine
De gente que ainda nem é gente
Compensando a timidez
Afogando a lucidez

Juventude embriagada
Em vez de tomar o mundo
Não entende quase nada
Nem sabe algo profundo
Com quase tudo se enerva
Tudo aquilo que venera
É tão fútil em substância
Tão vazia em conteúdo
Mas, se apega na arrogância
De moços corpos passageiros

Se soubessem que a idade vem
E seus ímpetos hão de cessar
Mesmo que seja distante
Irá chegar esse dia
Em que trabalho, casa, família
Compras, contas e dinheiro
Envoltos de tal desespero
Irão lembrar concretamente
De noites pouco inteligentes
Em que endeusavam o álcool do aguardente
Negando um futuro por vir
Conclamados indigentes

Projetando singela imagem
Daquelas noites no Garagem...


Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.06

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Gotas de Veneno


Gotas de Veneno:

Brotam dos meus poros
Gotas de veneno
Nutrem firmemente meu desejo...
De vingança!

Mas, se ela me dará prazer...
Um cálice de esperança
O fel que me reveste
Escorre como ácido
Com sutil elegância
Gota a gota... Ardendo!
Em gotas de veneno...

Oh! Abominável criatura
De ti quero distância
Ora, confunde-se comigo...
Estúpida e imatura
Num desejo de criança

Infeliz poeta
Inútil e estúpido
Embriaga-se em ódio
Como gotas...Gotas de veneno!

Por Douglas Naegele
Em: 29.03.2007

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O Silêncio

Silêncio

O Silêncio:

Mudo e surdo

Não quero ouvir, nem falar...

Minha irritação é tanta

Não suporto sentir... Quero gritar!

Tomado pela insanidade

Repito amarguradamente os meus dissabores

Tu deusa-demônio, fazes parte deles...

São eles...

Busco inocentemente exorciza-la de mim

Mas, como uma droga... Quero mais uma dose, enfim.

Horrível sensação de impotência

Sem sinal de vida ou consciência

Mente e cérebro triturados

Com meus sonhos torturados

Mudo e surdo...

É assim que eu quero estar

Vã tentativa...

Continuo lembrando...

Continuo gritando... Em silêncio.

Por: Douglas Naegele

terça-feira, 17 de junho de 2008

Esquina Torta


Esquina Torta:

Estranha esquina
É aquela torta
Onde a mulher agora morta
Ali fazia ponto
Troçando com algum tonto
Os descaminhos da fé alheia
Tecendo maldades como a aranha à teia

Desfez-se de modo delirante
Ao fálico poste triunfante
Agonizando sozinha
Pois, nem súplicas tinha...
Quando derramada fora
Portando uma caneca moura
Caiu na estranha esquina
Sim... Naquela torta!

Por: Douglas Naegele
Em: 15.05.2006