quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lacerações:

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Lacerações:

Essas dores compostas e impostas

Por minha própria identidade

Refúgio vazio e esguio

Desta putrefata cidade

Dispõe-me de amigos sinceros... Espero!

Que em busca de um ralo imundo

Onde se encontra minh’alma

Sofrida, perdida... No lodo mais fundo...

São concretados em paredes mofadas

Sem tinta, nem nada...

A mesma parede vendida

Lascada, rachada... Que é minha vida!

Meus amigos se ferem

Com insetos que fedem

Seus humores se perdem

Para onde eles foram?

De que adianta romper a mesmice

De tão fúteis emoções

Se nas distintas palavras escritas... Não ditas

Transformam-se nas mais belas e corretas lacerações

E quando meu peito vadio

Cinge-se com o vermelho do sangue

Sabendo que a tormenta vindoura

Transmuta todo o amor condizente

Nas mais contundentes e verdadeiras razões...

Pai, eu não presto!

Até meu amor por ti, eu empresto...

Me sinto de tudo um resto

Escrito assim num manifesto

E agora, o que sobra?

De fato...

As ditas, malditas... Lacerações.

Por: Douglas Naegele

Em: 16.04.07

domingo, 20 de abril de 2008

Entre a Cruz e a Espada


Entre a Cruz e a Espada:

As cruzadas não foram santas
Nem a cruz tão pouco espanta
Morte e vilanias
Carcomeram as honrarias
De destemidos cavaleiros da Aliança
Que sonhavam conquistar a liderança
De uma Terra onde viveu
Aquele que vibrantemente é chamado de Filho de Deus
Quais seriam as esperanças
De pobres velhos e crianças
Quando os grandes protetores
Escudados pelos nomes dos seus senhores
Saqueavam e torturavam
Lindas virgens estupravam
Quantas mais atrocidades
Abençoados pelo Bispo da Eterna Cidade
Carregando estandartes da Romana Igreja
Embriagados pelo poder adquirido em peleja
Ao voltarem para casa
Casos de batalhas, um tanto vagas
Feitos heróicos e inimigos abatidos
Vitórias conquistadas em nome de Cristo
Onde estavam os troféus dos infiéis convertidos?
Uma história de ruína e cobiça
Fedendo mais do que carniça
Foi sendo mascarada
Transformando verme em alma abençoada
Mesmo com o sangue corrompido
O remorso de famílias desde o leito
De corações arrancados do próprio peito
Tempos depois, bem mais tarde
Foi-nos chegando a verdade
E aqueles que foram santificados
Na boca do povo endeusados
Eram meros assassinos
Não valiam a vida de um suíno
Pois, como porcos viveram
Das atrocidades que cometeram
Não mais mereciam em altares adorados
Permanecerem venerados
Assim, com o fim da hipocrisia
Trouxe a lembrança tardia
Das vítimas que pela espada
Tiveram suas vidas ceifadas
Sendo assim, num breve momento
Os filhos da Verdade, herdeiros da Cruz
Pedindo perdão do tormento
Causado por tanto sofrimento
Ajoelharam-se diante da descendência
Daqueles que na sua inocência
Tiveram seus corpos mutilados
O patrimônio destroçado
Indo viver na calçada
Entre a cruz e a Espada...



Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.06

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Eclípse


Eclipse:

Soterrado dentre os montes
Espia sorrateiro
Aquele que um dia
Fora chamado Luzeiro
Seu bramido em borbotões
Vasculhou todos os rincões
Pois, o flagelo divino aliciava.
Em uma noite de horror
Com fervor alucinava


Vísceras e sangue que corria como um rio
Brotavam de sujas criptas parindo a um filho


Quais seriam seus algozes?
Que tais cães ferozes
Devoravam a si mesmos
Atingindo alvo a esmo


Contudo, enigmaticamente...
Agora se esconde, complacente.
Espiando, assim expia...
Enterrado sob o monte
Sua luz de nós desvia
Movimento de elipse
Faz-se noite... Um eclipse.


Por: Douglas Naegele
Em: 04.03.2007

terça-feira, 1 de abril de 2008

Escrava


Escrava:

Quero sufocar-te com meus beijos
Enquanto as mãos amassam teus seios
Meu corpo nu pressionando o teu em atitude
E tu me implorando que não te machuques

Não existem promessas, nem mesmo mais regras...
Somente dois seres unidos no ventre
Singelas quimeras

Não deixarei apenas minha marca
A tomarei completa, sorvendo-te a alma...
Para que me contentar com o corpo?
Se puder reter-te o espírito!

És minha agora e serás para sempre
Não há mais rituais a dominarem tua mente
Pois, assim tu quiseste e te entregastes.
Seu corpo... E sua alma...
De livre e espontânea vontade!

És minha, sem brincadeiras, e a sério!
Deleito-me com isso, enquanto eu quero!

Serve-me agora...
Dispenso perguntas!
Exijo-te devota de minha gratidão...
Sou eu... Seu amo eterno, que te guarda...
E tu...Tu és apenas minha escrava!


Por: Douglas Naegele
(Para M. minha... que tanto amo)