quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lacerações:

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Lacerações:

Essas dores compostas e impostas

Por minha própria identidade

Refúgio vazio e esguio

Desta putrefata cidade

Dispõe-me de amigos sinceros... Espero!

Que em busca de um ralo imundo

Onde se encontra minh’alma

Sofrida, perdida... No lodo mais fundo...

São concretados em paredes mofadas

Sem tinta, nem nada...

A mesma parede vendida

Lascada, rachada... Que é minha vida!

Meus amigos se ferem

Com insetos que fedem

Seus humores se perdem

Para onde eles foram?

De que adianta romper a mesmice

De tão fúteis emoções

Se nas distintas palavras escritas... Não ditas

Transformam-se nas mais belas e corretas lacerações

E quando meu peito vadio

Cinge-se com o vermelho do sangue

Sabendo que a tormenta vindoura

Transmuta todo o amor condizente

Nas mais contundentes e verdadeiras razões...

Pai, eu não presto!

Até meu amor por ti, eu empresto...

Me sinto de tudo um resto

Escrito assim num manifesto

E agora, o que sobra?

De fato...

As ditas, malditas... Lacerações.

Por: Douglas Naegele

Em: 16.04.07

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