Lacerações:
Essas dores compostas e impostas
Por minha própria identidade
Refúgio vazio e esguio
Desta putrefata cidade
Dispõe-me de amigos sinceros... Espero!
Que em busca de um ralo imundo
Onde se encontra minh’alma
Sofrida, perdida... No lodo mais fundo...
São concretados em paredes mofadas
Sem tinta, nem nada...
A mesma parede vendida
Lascada, rachada... Que é minha vida!
Meus amigos se ferem
Com insetos que fedem
Seus humores se perdem
Para onde eles foram?
De que adianta romper a mesmice
De tão fúteis emoções
Se nas distintas palavras escritas... Não ditas
Transformam-se nas mais belas e corretas lacerações
E quando meu peito vadio
Cinge-se com o vermelho do sangue
Sabendo que a tormenta vindoura
Transmuta todo o amor condizente
Nas mais contundentes e verdadeiras razões...
Pai, eu não presto!
Até meu amor por ti, eu empresto...
Me sinto de tudo um resto
Escrito assim num manifesto
E agora, o que sobra?
De fato...
As ditas, malditas... Lacerações.
Por: Douglas Naegele
Em: 16.04.07
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