segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Adeus Ano Velho!


Adeus Ano Velho!

O ano acabou...
E agora, meu bem?
Como é que faremos,
No ano que vem?

O império da hipocrisia
Nos julgará de novo
Falará um monte de coisas...
Sobre nós...Sobre o povo!

Seremos condenados
Como sempre, suponho...
Impelidos à margem
Deste mundo vil e tristonho!

Comerão suas fezes,
Arrotarão seus escárnios...
Mas, contudo querida...
Serão apenas hilários!

Que venha outro dia!
Outro mês!
Outro ano!
Porcos burgueses
Dessa sociedade falida
Que procura valores
E despreza a vida

Como tenho pena...Senhor Deus dos desgraçados!

Feliz Ano Novo!

Por: Douglas Naegele
Em: 31/12/2006


domingo, 9 de dezembro de 2007

Alguém Acreditou...


Alguém Acreditou:

Numa cidadezinha do interior
Nasceu uma menina
Família muito pobre
Com fome e tudo mais

A prole crescia
O desencanto surgia
Nos mitos de criança
Que aprendia em esperança

E nesta época do ano
Escrevia sua cartinha
Para receber um presentinho
Tão querido o pobrezinho

Mas, no dia esperado...
O mimo almejado
Nem de longe estava ali
“Fora algo que escrevi...”.

E outra vez
No outro ano
Até no correio fora
E na data esperada
Nada encontrara

Até que fim um dia
Ela então entendeu
Para aquela barba branca
Ultimas palavras escreveu:
“Saiba agora Sr.Noel,
Que me fiz boa à vida toda
Para ser merecedora de um presente seu
Só que nunca me atendeu
Então o que mais dizer?
Se não creio mais
Nas mentiras que disseram
Sobre sua dita bondade...
Mas apenas saiba... Que... Alguém acreditou!
E esse alguém... Fui eu!”

Feliz Natal!
Por: Douglas Naegele
Em: 23/12/2006




Natal


Natal:

É noite...
As pessoas estão alegres
Quem sabe felizes?
As ruas do meu bairro fervilham
De embriagados e desocupados
Gente que pouco se importa
Com aqueles que precisam...Necessitam.

Acima de nós
No morro ao lado
A violência atroz
Desse mundo feroz
Faz de um menino...Soldado.
Em vez de brinquedos,
O tal baseado!

“Onde foi parar o Bom Velhinho?
Nunca me atendeu!
Mas, daqueles lá de baixo,
Ele nunca esqueceu “.

Sabe Deus que nesse dia
A maldita hipocrisia
Reina mais triunfante
Mentiras de paz tão distante
A comunhão que agora é manifesta
Na verdade não presta
Pois se fosse colocada a peso
O fiel da balança pareceria preso

Por fim, é natal...
Será que eles lembram o que significa?
Continuam bebendo,
Talvez apenas esquecendo...
É noite...Noite de natal!
E daí?

Por: Douglas Naegele
Em: 21.12.2006


Violência


Violência:

Diante de um pesado fardo
Talvez, de cunho social...
Me deparo com um extermínio
Acontecendo em meu quintal

E ante ao desespero
Até em mim causado
Agora jaz sem vida
Jovem corpo no chão estirado

Nem imagino quantos
Muito menos, seus dias...
Só sei que breves anos
Aquele menino vivia

Aos gritos de “Muito bem!”.
O assassino fora saudado
Parabenizado por muitos
Por uma vida ter tirado...

Não me interessa os motivos
Mas era um jovem rapaz
Que depois de atingido
Não sei se descansa em Paz

Era uma vida, meu Deus!
Era uma vida...
Uma vida...
Mas, já não é mais!


Por: Douglas Naegele
Em: 27.12.2006

Veneração:


Veneração:

Eu voei alto
Buscava o infinito
Mergulhado em meus Delírios
Escravizado e proscrito

Eu pagava para receber uma migalha de prazer
Por isso, voava alto, cada vez mais longe,
Em busca do que nem me lembro...
No entanto, me arrependia...
Assim que raia o dia
Pois, o canto dos pássaros dizia,
Enquanto, me desesperava.
Recordando da madrugada
Que meu corpo envelhecia

Mas, eu continuava escravo...
Daquela rotina sem fim
Quebrar o ciclo eu não conseguia
É certo que nem tentava
E mais uma vez diante do ócio
Eu me impregnava

Substância brilhosa
Alva e cheirosa
És causa de minha ruína
Consuma-me de vez
Apodrecida...Cocaína.

Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.2006

Ventos


Ventos:

Quantas vezes eu busquei?
Nem de perto eu cheguei...
Tentei entre um vacilo e outro,
Porém, não encontrei...


Sequer conheci lembrança,
Muito menos esperança...
De um dia encontrar
Alvo de minha laçada
Meu refúgio, minha morada.

Assim como um diamante caro,
Tal qual um perfume raro...
Que exala da flor em delta
De minha deusa celta,
Com doces lábios que espero
Que tanto, tanto eu venero...

Ventos...Ventos...
Como eu te quero!


Por: Douglas Naegele
Em: 15.12.2006

Tempo Doido Esse


Tempo doido esse...

Deveríamos estar derretendo de calor.
Mas, o frio é avassalador...
As areias não exibem a nudez esperada
Em vez disso, estão vazias e abandonadas...
À noite quando o chopp estaria embalando,
O vinho se faz soberano.


Onde estão as barriguinhas expostas?
Os piercings à mostra,
Os corpos tatuados,
Sarados e bronzeados?
Ei-los todos encasacados!


A vida noturna do Rio,
Não combina com esse frio...


Antes, o sol com sua energia,
Dava o tino da economia!
Mas, as chuvas constantes,
Que não dão trégua um só instante...
Fizeram o clima londrino,
Do Rio o seu destino!


Mas...Eu posso falar a verdade?
Que nenhum conterrâneo me escute...
Apesar de aqui ter nascido...
Nada contra o Verão ou quem o curte!
Estou amando esse clima, assim tão deprimido...


Tempo doido esse...


Por: Douglas Naegele
Em: 03.12.2006

Solo Sagrado


Solo Sagrado:


Descansa em solo sagrado
A história de um mundo mudado
Por letras escritas em mim
Tatuadas em meu corpo, enfim

Distante de onde eu venho
Como a moagem de um velho engenho
Reescreve em curta memória
Um épico como o de Tróia

Narrado com voz embargada
De frente a uma lareira apagada
Soando tão falsa como a vida
Depois, em carrara esculpida

Essa lenda que conta o meu ser
Com toda dificuldade de ler
Curado tal qual numa mágica
Falida página trágica

Que revela a sutileza
Na plenitude de mera beleza
De anos contados por vis
Com balas de canhões ou fuzis

Profundas maquinações
De intricadas razões
Levaram então a minha morte
Mas, não contavam com a sorte

Que num ato de simples vingança
Trasladou a pobre esperança
Que sofria em profunda ruína
Mantendo uma fidelidade canina

Na mão do seu benfeitor
O qual atestava com profundo horror
Que aquele corpo inerte
Ainda que como um vampiro desperte

Só poderia ser meu
Um misto de judeu e ateu
O mesmo crente desalmado
Que acorrentou-se no pecado

Nesse instante jazia
Tal qual uma mala vazia
Servindo em prata bandeja
Derrotado na última peleja

Meu corpo pálido de herói
Figura opaca que um sopro destrói
Varrido e seco
Assim como esterco

Em hora obtusa e vã
A uma divindade pagã
Envolto em puro mistério
Na cova rasa de um cemitério

Morri sem orgulho ferido
Do mesmo modo bandido
Em que meus anos vivi
De muitas delícias servi

Com o corpo sobrepujado
Por vezes violentado
Deixo a todos a minha história
De desonra e boa memória

Pois, descanso em solo sagrado
Mesmo que em cova rasa
Tendo sido herói
Abatido como bandido
Me encontrando todo torto
Como os versos finais que escrevo
Horríveis, mas com eles pareço

Eu, descanso, em solo sagrado...

Por: Douglas Naegele
Em: 12.12.2006


Só:

Na escuridão do meu quarto,
Eu percebo o movimento.
O brilho dos faróis na janela,
Diminuem com o tempo.

Não tenho vontade para nada
Assisto de tudo na madrugada...
Nem consigo sair da cama,
Quem sabe mais um gole de cana?

Quando chega a manhã,
De tão cansado que estou,
Encontro o sono atrasado.
Não sei se estou embriagado...
Mas, para o mundo dos sonhos...Eu vou!

Os amigos batem à porta.
Não quero falar com ninguém!
Nada houve que me levasse a esse estado,
De ficar aqui assim prostrado...
Sem vontade de viver...
Já que com nada me sinto bem!

Assim se faz rotina,
Da depressão que domina,
Ou de sangrar até a morte...
Quem sabe então eu acerte o corte...
Só sei que tem de ser profundo,
Se é que eu quero deixar esse mundo?!
Mas, minha prostração não termina...


Que merda de vida é essa?
Não consegui me cortar outra vez...


Por: Douglas Naegele
Em: 06/12/2006

Sai...


Sai :

Ah! Como eu odeio a distância...
Ah! Como eu odeio o tempo...
Como eu odeio odiar...e me tornar refém!

Antes não havia dúvidas, nem temores
Antes, nada era intenso e sem tremores

Um olhar que nunca vi...
Um toque que nunca senti...
Um calor que de tão frio intervém
Num repleto contexto novo
Que de seu modo extraordinário me detém.
Constitui uma saudade
Pueril... Inexistente...
Mas, pertubadoramente insistente

Como é horrível viver!
Maldita distância... Infinita ilusão

Com que direito entrou na minha vida?
Fazendo-me perder a razão...

Eu não te convidei... Sai!

Como ousas tomar posse dela?
E me enlouquecer...

E depois, num rompante de humor, me deixar
Na solidão... À mercê...

Quem és?
Some logo...Sai!

Deixe-me agora... Sem ilusão, sem razão...
Pois, só tu sabes a verdade...

E se sofro, que seja apenas por mim...
Sai...

Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.2006

Seiva de Herói


Seiva de Herói:

Gotas de sangue brotam do solo
Num aspecto sombrio do que me consome
Sem esperanças de ver o alvorecer
Usando um véu de pura lembrança
Sustento o seu bastião
Ainda de cajado na mão

Palavras de ordem eu brado
Vitória!!
Procuro recriar a Nação
Que de um tempo perdeu
Em um desvario de Deus
Chegou ao caos da história
Deveras, tramou-se no tempo
A burguesia seu próprio sustento
Por quanto tempo servil

Levantaram-se com muita certeza
Sem teoria e boa clareza
Para lutarem bravamente
Contra o sistema decadente
De pura exploração de outro ser
Um pelo outro deter
Numa sociedade toda nova
Um homem puro a toda prova
Como a história se constrói
Vazada em seiva....Seiva de Herói.


Por: Douglas Naegele
Em: 10.11.2006



O Pleno Amor


O Pleno Amor:

O pleno amor é confiante!
Confidente...Indecente.

O pleno amor é mutante!
Indócil...Indomável.

O pleno amor é transgressor!
Ordinário...Revolucionário.

O pleno amor é eterno!
Fluído...Rompido.

O pleno amor é constante!
Mágico...Trágico.

O pleno amor...Ah! O pleno amor...


Por: Douglas Naegele
Em: 15.12.2006

Onde Estás


Onde Estás:

Está escuro lá fora
Ainda tarda a aurora
O vento selvagem castiga
A lápide tão antiga
Com data mais passada
E a família apagada

Mas, sem muito receio.
Como estudantes no recreio
Insetos e vermes
Em festas com os germes
Infestam o solo
Em que o joelho esfolo
Cavando com esforço das mãos
Os lugares de descanso vãos

Velas iluminam o altar
De criptas sujas sem par
Num mausoléu em desvario
Temores pessoais eu recrio
Com fantasmas do passado invadindo
Numa tormenta de pavores ressentindo

Vejo-me sozinho
O medo perfura como espinho
Busco-te em meio aos mortos
Embrenhando-me entre os corpos
Putrefatos e miseráveis
Toda via, de confortos estáveis.

Não te acho
Nem te encontro
Meu corpo perdido
Com meu canto entorpecido
Onde estás?


Por: Douglas Naegele
Em: 28.11.2006

O Mesmo Lugar


O Mesmo Lugar:

As ruas desertas da Zona Portuária me inspiram
Os velhos armazéns em ruínas conspiram
Casarões sombrios abandonados
Fachadas ruídas, janelas quebradas

O cheiro intragável da Baía
Bêbados e mendigos resultado da equação social
Escrita velha de um demônio que ria
A solidão é minha companheira e o silêncio utopia

A cada passo que dou no largo
Cadavéricas figuras se espremem nos bancos da praça
O motor do moinho ruge e não cessa
Saudade de um dia qualquer
De outro tempo no mesmo lugar



Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.2006

Momento Egoísta


Momento Egoísta:

Sua pele pálida brilhava
O prazer em gotas suava
Palavras de amor jurava
Descompassadamente ofegava

Seus cabelos negros lhes cobriam a face
Escondiam-na de quem olhasse
Mas, para seu amante era sem disfarce.
Servindo-se do movimento como se cavalgasse

Do olor benévolo impregnada
Mantendo-se por cima naquela cavalgada
A ele não era a maneira esperada
Ser dominado por sua doce amada

Com sofreguidão acelera o movimento
Buscando para si eternizar o seu momento
E queimando como febre todo o tormento
Explodindo em loucas ondas, logrando o seu intento.

Com o corpo extasiado
O seu íntimo tão molhado
Tombando para o lado
Com o prazer já alcançado

Agora, não é hora dela retribuir.
Por mais que ela quisesse ao seu macho assim servir
Sem forças como estava, só podia dormir.
E sonhar com aquele homem desta vez a lhe possuir.


Por: Douglas Naegele
Em: 28.11.2006

Jasmim


Jasmim:

Na noite em que aconteceu...
Na noite em que a luz surgiu...
Na noite em que o céu ardeu...
Todos acharam que havia sido o toque,
O toque singelo de Deus.

Impressionados e estarrecidos
Atordoados e esquecidos
Quem nem lembraram de perguntar
Por que deus haviam sido atingidos

Ninguém queria o poder
Pois, nenhum fora consultado!
Os do ventre materno então...
Quando a luz fez o clarão
Fôramos todos afetados

Alguns podiam voar
Outros apenas correr
No entanto, todos pediam...
Exigiam enfim, o final de tanto sofrer.

Seus corpos incandesciam
Mudavam até de aparência
Num fundo d’alma sombrio
Sufocados por uma turbulência
Pois, na intolerância cresciam.
Por muitos anos a fio
O caos de mentes esquecidas
O ocaso de vidas perdidas
Pois, tanto, tanto se fez.
O mal, a fertilidade da vez...

Surgiu, então, o Santuário.
Lugar de múltiplas razões
Funesto amor temerário
Que acima de toda loucura
Trazia paz aos que pediam
Imersos em suas paixões.

Esta é a nossa história
Assim é a nossa existência
Refúgio de tudo que aconteceu
Das mortes e amores ambíguos
Do terror e da beleza...
A sorte que nos norteou
No decorrer de toda vil e infeliz trajetória

Aqueles que foram tocados
Pela fogueira cósmica marcados
À frente de seu próprio túmulo
Clamavam uns pelos outros
Conhecendo íntimos sonhos
Descortinando pesadelos
Aos quais alguns louvavam
Outros repudiavam

Mas, estirpe malévola encantada.
Canções de rancor azeitadas
Trazidas no meu sofrimento
Compostas no meu próprio tormento
Apontavam uma noite sem fim
Uma pétala de um medíocre jasmim...


Por: Douglas Naegele

Em: 28.11.2006

Humilhação


Humilhação:

Joga-te aos meus pés agora!
Humilha-te para mim e adora
Talvez eu te perceba e aceite
A tua veneração e deleite

Implore por meus cuidados
Como fazem os gatos
Arraste-se por mim
Dedique-se por fim

Chore pelos meus lábios
Clame por um afago
Exija, sem direitos,
Todo meu respeito.

Faça com que eu não te ignore
Sofra por meus braços
Veja com desejo
A mim como seu amo

Desfaço-me de ti
Mas, ainda assim amando.
Supero tua humilhação,
Dizendo, apenas: Não!


Por: Douglas Naegele

Aqui Jazem Ingleses...


Aqui Jazem Ingleses:

 

Do alto de uma colina,

De onde se avista o porto.

Está em seu último descanso,

Homens e mulheres pomposos com se próprio encanto.

 

Viveram em meio à soberba,

Envenenados com sua nobreza

Viam-se como melhores

Aos que do povo eram pobres

 

Desdenhando do povo daqui...

Davam aos cães o que melhor tinham

Negavam o mesmo aos que lhes serviam!

Do calor... Reclamavam.

Ao que o suor escorria

Diziam a todos que tudo fedia.

 

No entanto assim quis Deus.

Que logo perdessem o garbo.

E o amor pelos nossos

De seus corações brotassem.

 

À tropical terra se apegaram

Em seu martírio profundo,

Deixaram assim esse mundo.

Tiveram os corpos comidos

Por aqueles bichos fedidos

Desta tal tétrica pátria

Ainda que bela e plácida,

Serviu-lhes como das outras vezes

Tornou-se a última morada...

No Cemitério dos Ingleses.

 

Por: Douglas Naegele

Em: 08/12/2006

Cemitério dos Ingleses




Cemitério dos Ingleses:

Não há mais enterros agora
As famílias que ali outrora
Choravam seus entes queridos
Pouco apouco foram embora

Daí veio à decadência,
O abandono e a insolência
Daqueles que ali não entravam
Mas agora pisoteavam
Onde muitos pranteavam

E logo chegou o esquecimento...
Tendo o mar como alento
O cais do porto atento
Serviu como testemunha
Para que sem julgamento,
Viesse a condenação que tal estrutura impunha.

A maresia e as intempéries
Não perdoaram o seu sofrimento
O vento uivava como lamento
Esfacelando as esculturas
E o ferro se retorcendo
Condoídos em puro discernimento

Os túmulos carcomidos
E os metais retorcidos
Figuram agora nos esquecidos
Observando os belos navios
Que passam ao longo da barra
Esquecendo os momentos de farra
E a solidão deu descanso
Aos que ali fizeram morada
Para seus últimos restos
Misturados ao solo fértil
Pudessem servir de inspiração
A um pobre poeta sem chão...

Por: Douglas Naegele
Em: 08/12/2006

sábado, 24 de novembro de 2007

Eu Quero


Eu Quero:

Quero provar do seu teor
Observar as reentrâncias e sua cor
Em cada poro que exploro
Que com minha língua defloro
A sutileza do teu amor

Quero deleitar-me em teu vale profundo
Com seu néctar ganhar o mundo
Cavalgar em seus montes gêmeos
Dividindo... Invadindo, por curtos milênios...
Entre prazer e dor
Despetalá-la como a uma flor

Quero pô-la aos meus serviços
Desfrutar de seu corpo submisso
Subjuga-la como escrava
Dependente de minha clava
Implorando, chorando, pedindo!
De sua submissa nobreza exigindo
Ser regada por minha fonte
Tal qual ao sob a ponte

Quero guardá-la em meus braços
Ser o conforto de seu cansaço
Inebria-la com meu cheiro
Embriaga-la em meu peito
Edifica-la como arte
De um painel tributo do qual faço parte

Quero ser seu Homem
Quero você minha... Mulher!



Por: Douglas Naegele
Em 24/11/2006

Feitiço


Feitiço:

Acordo pela manhã e a primeira coisa que me vem à mente é você!
Durante o banho, ensaio estar contigo...
Fico excitado, mas, ninguém vê.
Visto minha roupa e sigo para o trabalho,
Ao longo do trajeto só penso em você.

Exerço minha função, tomo decisões.
Faço pagamentos e algumas aquisições.
Durante todo o dia meu refúgio está somente...
No meu desejo infantil... Inconseqüente!
Busco em mensagens, não encontro simplesmente.

Vou fuçando o teu profile, eu odeio a internet...
Como posso ficar agora, sabendo que você não está, pois, até mesmo no MSN seu estado é ausente?
Você não me deixa um só instante, povoa minhas fantasias, é dona da minha mente.
Agora vou dormir, pensando em você...

Logo que o sono chega, me pergunto:

Que feitiço é esse?


Por: Douglas Naegele
Em 30/11/2006

Eu Amo a Chuva




Eu amo a chuva:

Eu amo a chuva...
E o frio cortante.
As tormentas são como guias,
De uma estrela que caída,
Desmascara a insolência da Hipocrisia fedida


Eu amo a chuva...
E também as ruas vazias.
O vento que por elas passa,
São versos de pura magia.
Feliz é a estrela cadente,
Que em conluios com seus confidentes
Trama a queda do mundo...
Responde a rebeldia da gente.


Eu amo a chuva...
E tudo que ela trás.
Às vezes incompreendida,
Assim como quem sozinho se satisfaz.
Digo isso, por certeza,
Do mesmo modo que a natureza
Que seguindo o seu curso,
Não causa qualquer abuso.
Antes é violentada,
Por aqueles que do nada,
A condenam de tragédias ser ela a culpada.


Eu amo a chuva...


Por: Douglas Naegele

Em 11/12/2006

Degradação Humana


Degradação Humana:

Carros passavam a mil por hora
O tempo era curto, sem demora.
Ela estava vagando na beira da estrada
Sentia-se sozinha e abandonada
Nua e descortinada

A vergonha se fora com o tempo
Nitidamente perdida no vento
Arrancado o seu sorriso infantil
Depois de a tantos ser servil
De gato e sapato feita na cama
Na devassa degradação humana

Acabaram-se os dias de menina
Quando tratada feito rainha
Fingia assistir a loura manhã
Brincando de boneca, cuidava da irmã.
Porém, um dia, com fome.
Atende o chamado daquele homem
E por um prato de comida
Sua inocência fora vendida

Os dias se acumularam
Invertidos assim ficaram
O sol raiava com sua chegada
E a noite era posta logo que acordava
Os “tios” sem nome pagavam o preço
Para tê-la envergada, virada do avesso.

No limite da exaustão
Sua mente em confusão
Busca o sacerdócio para ouvi-la em confissão
Porém, como gado ao abatedouro,
Fora vendida a peso de ouro.

Mantendo sua sina contada
Por todos era usada
Direitos? Ainda existiam?
Sumiram-se... Ou dela esqueciam!

Na panacéia nova da vida
Mais ainda ensandecida
Dera um arremete final
Enrolada na grande por um lençol
Morreu rapidamente
Pendurada ao sol
Nem teve tempo de ver
Naquele dia aparecer
A nova estrela de uma série de TV
Muito faceira e até atrevida
Menina bonita... Sua irmãzinha querida!

Por: Douglas Naegele
Em 11/12/2006


De Volta Para Casa


De volta pra Casa:

O limite do tempo se esvai...
A noite termina.


O Calor consome a carne que retrai ao contato dos raios agulhados
Na alvura da pele que queima
O tecido fétido culmina


O deus do dia-a-dia toma posse do seu trono
Dilacerando mentes, se tornando dono.
De operários e afins, escravizados pelo amor ao vil.
A honestidade cálida do bem intencionado
Perde-se no seu próprio sono
Casa própria, carro, desejos ruins... Masmorra servil
A liberdade é pálida e cala a voz do seu abandono


Findam as horas
E o retorno é certo
Passos apressados do circo de concreto
Quem sabe esta noite... Quem sabe?
Eles retornam e eu...
E eu... Tenciono...Tendo a ter...
Coragem, cadê?


Mas um dia amanhece, e outra vez... Desisto.


Por: Douglas Naegele
Em 01/12/2006

Ciumes...


Ciúme:

Doce fel da incerteza
Que escorre de minh’alma
De saber que na distância
Tudo se aquieta e acalma

Eu me rôo e te condeno
A vil infidelidade
Que por mais que consentida
Arde tal qual uma ferida
Um canto de mediocridade

Como posso duvidar
De provas de amor sem fim
Que a mim soam perjúrio
Virando gesto espúrio
Em um lamento tão ruim

Nunca te vi errando
Nem sequer tenho motivo
A não ser dúvida atróz
De quem traindo foi agente ativo
Enganando corações e nas mentes dando nós

Mas, o que posso fazer?
Não são provas que eu quero
Porém, é o medo de perder
Aquilo o que mais venero

Tenho medo da solidão
Mas, ela não me devora
Os motivos de minha insegurança
São outros...Muito embora
Tenha essa tosca razão
Em devaneios da visão...

Outros braços a te envolver
Outros lábios a te beijar
Outra língua a te provar
Teu prazer tão meu querido
Agora de vez perdido
Em outro corpo a te amar

Tormento sem fim é aquele
Que por mais que eu tente me libertar
Volta como um bumerangue
Todo coberto com seu sangue
Piscando como um vaga-lume
Vilipendiando-me de ciúme...


Por: Douglas Naegele
Em: 26/11/2007

Acordar Contigo...


ACORDAR CONTIGO!

Quero sugar-lhe a seiva pela manhã
Encher-me a boca com seu mel
Ter meus cabelos puxados
Meu grito de amor sufocado
Por sua língua voraz que invade-me como louca


A quentura do teu íntimo
Cobrindo o meu
A cadencia ensaiada de uma melodia imaginada
Só nossa, tão nossa... que seus movimentos me dão uma coça.
Sem piedade, nem pudor
Sons desconexos, envoltos em dor
Traspassam o timbre de gritos mortais
Tua estrela então brilha
Caleidoscópio do prazer me cria
Teu corpo desaba, macio e suado
Enquanto expludo, jorrando a semente
Em seu túnel profundo
Sem forças e inerte
Como tudo ao redor

O gozo se deu...é manhã
Já é dia
Maravilhoso sentido...
Acordar contigo!

Por: Douglas Naegele
Em: 01/12/2006

domingo, 18 de novembro de 2007

A Chegada




A Chegada:

Quero sentir a ternura do seu sopro
Seus gélidos braços em meu corpo
Minhas forças se escoando
Um processo lúgubre de lembranças me escorando

Um olhar que se turva
A seiva vital sai

A partida imediata, quimeras única esperança.
O anoitecer de uma vida de elegância
Supremo final...Translúcido
O último prazer...Um orgasmo total...
Com os poros dilatando e a íris enegrecendo
Sinto a tua chegada...Triunfante.
Sem ar, sem vida, sem...Mim.


Por: Douglas Naegele
Em: 12/12/2006
(Incidental sobre a obra de Junqueira Freire, mestre maior.)

domingo, 11 de novembro de 2007

Com Quem?

Com Quem 

Com quem vou falar de política? Do futebol carioca?

Do governo? Da polícia?... Dessas coisas idiotas...

Com quem vou reclamar da vida?

Da oportunidade perdida?

E rir de dar cambalhota?

Com quem?

Aliás, nem sei se farei mais essas coisas...

O Botafogo e o Fluminense não serão mais os mesmos...

É possível que até mudem de cores!

O Brasil poderá se tornar socialista e a polícia mais humana... Quem sabe?

Minha vida, é possível, transforme-se numa maravilha

E cada momento um esplendor de alegria...

Gargalhadas fluírem aos borbotões!

Ainda assim... Com quem vou dividir tudo isso?

Com quem?

Sinto sua falta, pai...

Douglas Naegele

Em: 11.11.2006