sábado, 24 de novembro de 2007

Eu Quero


Eu Quero:

Quero provar do seu teor
Observar as reentrâncias e sua cor
Em cada poro que exploro
Que com minha língua defloro
A sutileza do teu amor

Quero deleitar-me em teu vale profundo
Com seu néctar ganhar o mundo
Cavalgar em seus montes gêmeos
Dividindo... Invadindo, por curtos milênios...
Entre prazer e dor
Despetalá-la como a uma flor

Quero pô-la aos meus serviços
Desfrutar de seu corpo submisso
Subjuga-la como escrava
Dependente de minha clava
Implorando, chorando, pedindo!
De sua submissa nobreza exigindo
Ser regada por minha fonte
Tal qual ao sob a ponte

Quero guardá-la em meus braços
Ser o conforto de seu cansaço
Inebria-la com meu cheiro
Embriaga-la em meu peito
Edifica-la como arte
De um painel tributo do qual faço parte

Quero ser seu Homem
Quero você minha... Mulher!



Por: Douglas Naegele
Em 24/11/2006

Feitiço


Feitiço:

Acordo pela manhã e a primeira coisa que me vem à mente é você!
Durante o banho, ensaio estar contigo...
Fico excitado, mas, ninguém vê.
Visto minha roupa e sigo para o trabalho,
Ao longo do trajeto só penso em você.

Exerço minha função, tomo decisões.
Faço pagamentos e algumas aquisições.
Durante todo o dia meu refúgio está somente...
No meu desejo infantil... Inconseqüente!
Busco em mensagens, não encontro simplesmente.

Vou fuçando o teu profile, eu odeio a internet...
Como posso ficar agora, sabendo que você não está, pois, até mesmo no MSN seu estado é ausente?
Você não me deixa um só instante, povoa minhas fantasias, é dona da minha mente.
Agora vou dormir, pensando em você...

Logo que o sono chega, me pergunto:

Que feitiço é esse?


Por: Douglas Naegele
Em 30/11/2006

Eu Amo a Chuva




Eu amo a chuva:

Eu amo a chuva...
E o frio cortante.
As tormentas são como guias,
De uma estrela que caída,
Desmascara a insolência da Hipocrisia fedida


Eu amo a chuva...
E também as ruas vazias.
O vento que por elas passa,
São versos de pura magia.
Feliz é a estrela cadente,
Que em conluios com seus confidentes
Trama a queda do mundo...
Responde a rebeldia da gente.


Eu amo a chuva...
E tudo que ela trás.
Às vezes incompreendida,
Assim como quem sozinho se satisfaz.
Digo isso, por certeza,
Do mesmo modo que a natureza
Que seguindo o seu curso,
Não causa qualquer abuso.
Antes é violentada,
Por aqueles que do nada,
A condenam de tragédias ser ela a culpada.


Eu amo a chuva...


Por: Douglas Naegele

Em 11/12/2006

Degradação Humana


Degradação Humana:

Carros passavam a mil por hora
O tempo era curto, sem demora.
Ela estava vagando na beira da estrada
Sentia-se sozinha e abandonada
Nua e descortinada

A vergonha se fora com o tempo
Nitidamente perdida no vento
Arrancado o seu sorriso infantil
Depois de a tantos ser servil
De gato e sapato feita na cama
Na devassa degradação humana

Acabaram-se os dias de menina
Quando tratada feito rainha
Fingia assistir a loura manhã
Brincando de boneca, cuidava da irmã.
Porém, um dia, com fome.
Atende o chamado daquele homem
E por um prato de comida
Sua inocência fora vendida

Os dias se acumularam
Invertidos assim ficaram
O sol raiava com sua chegada
E a noite era posta logo que acordava
Os “tios” sem nome pagavam o preço
Para tê-la envergada, virada do avesso.

No limite da exaustão
Sua mente em confusão
Busca o sacerdócio para ouvi-la em confissão
Porém, como gado ao abatedouro,
Fora vendida a peso de ouro.

Mantendo sua sina contada
Por todos era usada
Direitos? Ainda existiam?
Sumiram-se... Ou dela esqueciam!

Na panacéia nova da vida
Mais ainda ensandecida
Dera um arremete final
Enrolada na grande por um lençol
Morreu rapidamente
Pendurada ao sol
Nem teve tempo de ver
Naquele dia aparecer
A nova estrela de uma série de TV
Muito faceira e até atrevida
Menina bonita... Sua irmãzinha querida!

Por: Douglas Naegele
Em 11/12/2006


De Volta Para Casa


De volta pra Casa:

O limite do tempo se esvai...
A noite termina.


O Calor consome a carne que retrai ao contato dos raios agulhados
Na alvura da pele que queima
O tecido fétido culmina


O deus do dia-a-dia toma posse do seu trono
Dilacerando mentes, se tornando dono.
De operários e afins, escravizados pelo amor ao vil.
A honestidade cálida do bem intencionado
Perde-se no seu próprio sono
Casa própria, carro, desejos ruins... Masmorra servil
A liberdade é pálida e cala a voz do seu abandono


Findam as horas
E o retorno é certo
Passos apressados do circo de concreto
Quem sabe esta noite... Quem sabe?
Eles retornam e eu...
E eu... Tenciono...Tendo a ter...
Coragem, cadê?


Mas um dia amanhece, e outra vez... Desisto.


Por: Douglas Naegele
Em 01/12/2006

Ciumes...


Ciúme:

Doce fel da incerteza
Que escorre de minh’alma
De saber que na distância
Tudo se aquieta e acalma

Eu me rôo e te condeno
A vil infidelidade
Que por mais que consentida
Arde tal qual uma ferida
Um canto de mediocridade

Como posso duvidar
De provas de amor sem fim
Que a mim soam perjúrio
Virando gesto espúrio
Em um lamento tão ruim

Nunca te vi errando
Nem sequer tenho motivo
A não ser dúvida atróz
De quem traindo foi agente ativo
Enganando corações e nas mentes dando nós

Mas, o que posso fazer?
Não são provas que eu quero
Porém, é o medo de perder
Aquilo o que mais venero

Tenho medo da solidão
Mas, ela não me devora
Os motivos de minha insegurança
São outros...Muito embora
Tenha essa tosca razão
Em devaneios da visão...

Outros braços a te envolver
Outros lábios a te beijar
Outra língua a te provar
Teu prazer tão meu querido
Agora de vez perdido
Em outro corpo a te amar

Tormento sem fim é aquele
Que por mais que eu tente me libertar
Volta como um bumerangue
Todo coberto com seu sangue
Piscando como um vaga-lume
Vilipendiando-me de ciúme...


Por: Douglas Naegele
Em: 26/11/2007

Acordar Contigo...


ACORDAR CONTIGO!

Quero sugar-lhe a seiva pela manhã
Encher-me a boca com seu mel
Ter meus cabelos puxados
Meu grito de amor sufocado
Por sua língua voraz que invade-me como louca


A quentura do teu íntimo
Cobrindo o meu
A cadencia ensaiada de uma melodia imaginada
Só nossa, tão nossa... que seus movimentos me dão uma coça.
Sem piedade, nem pudor
Sons desconexos, envoltos em dor
Traspassam o timbre de gritos mortais
Tua estrela então brilha
Caleidoscópio do prazer me cria
Teu corpo desaba, macio e suado
Enquanto expludo, jorrando a semente
Em seu túnel profundo
Sem forças e inerte
Como tudo ao redor

O gozo se deu...é manhã
Já é dia
Maravilhoso sentido...
Acordar contigo!

Por: Douglas Naegele
Em: 01/12/2006

domingo, 18 de novembro de 2007

A Chegada




A Chegada:

Quero sentir a ternura do seu sopro
Seus gélidos braços em meu corpo
Minhas forças se escoando
Um processo lúgubre de lembranças me escorando

Um olhar que se turva
A seiva vital sai

A partida imediata, quimeras única esperança.
O anoitecer de uma vida de elegância
Supremo final...Translúcido
O último prazer...Um orgasmo total...
Com os poros dilatando e a íris enegrecendo
Sinto a tua chegada...Triunfante.
Sem ar, sem vida, sem...Mim.


Por: Douglas Naegele
Em: 12/12/2006
(Incidental sobre a obra de Junqueira Freire, mestre maior.)

domingo, 11 de novembro de 2007

Com Quem?

Com Quem 

Com quem vou falar de política? Do futebol carioca?

Do governo? Da polícia?... Dessas coisas idiotas...

Com quem vou reclamar da vida?

Da oportunidade perdida?

E rir de dar cambalhota?

Com quem?

Aliás, nem sei se farei mais essas coisas...

O Botafogo e o Fluminense não serão mais os mesmos...

É possível que até mudem de cores!

O Brasil poderá se tornar socialista e a polícia mais humana... Quem sabe?

Minha vida, é possível, transforme-se numa maravilha

E cada momento um esplendor de alegria...

Gargalhadas fluírem aos borbotões!

Ainda assim... Com quem vou dividir tudo isso?

Com quem?

Sinto sua falta, pai...

Douglas Naegele

Em: 11.11.2006