quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Nossa Vontade:

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Não apregoam o mistério

Apenas o alcançam

Retumbando nos ouvidos

Tamanho impropério

Do nada... Se cansam

Certa feita, noite a dentro

A falácia enaltecida

Faces magras e empobrecidas

Calam-se diante à tormenta

Pobres almas dessas criaturas

Que haviam silenciado

Engoliram tanta asneira

Uma soma de mentira e besteira

Enloucaram... Quase desistindo

De enfrentar os malditos salafrários

Distribuídos entre o sagrado e o ordinário

Pobres almas...

Da política torpe nada mais esperam

Em desilusão montada aos solavancos

Mesmo inundados pela imundícia não desesperam

Pois, sabem que esses bem falantes

Que mil promessas fazem... Pouco cumprem.

Já que é nas dores do povo

Que esses prosperam

O fim disso tudo é chegado

Se não agora, no tempo certo... Tão esperado.

Do sangue e da lágrima que escorreram do Livramento

Uma sede cresce

Dando um nó na garganta

Vontade que não descansa

Clamando por vingança

Na espreita, a oportunidade

De lacerar, cortar e esfolar toda a impiedade

Embrutecida e pestilenta

Que ceifou a esperança de vida

Em mais um atrocidade violenta

Não serão balas nem fuzis

Mas, organização e luta

Que brotará a dignidade daqueles que ninguém escuta!

Seja feita a nossa vontade...

Por: Douglas Naegele

Versos feitos após a morte de três jovens moradores do Morro da Providência, entregues por quem deveria defender o povo a bandidos de uma comunidade dominada por uma  fação criminosa rival à que comanda o tráfico de entorpecentes no Morro da Providência.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Temores:

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Radiante como poderia ser o dia

Tenebroso como se fosse a noite

Julgado por um ato que temia

Condenado sem a presença da sorte

Vagando por corredores infinitos

Arrastando a cada passo o peso da história

Insistente em dizer

Que na seara dos conflitos

Assim... Em ordem aleatória

A justa posta inocência

É executada, sem mesmo culpa haver

Vejo-me, então, velho e iludido

Meu verdugo, em mim fundido

Guerreia meu íntimo contra meu ego

Vasculho vitórias

Em silêncio... Sossego.

Quantas dores hei de trazer

Em suspiro ou em delírio

A angústia de jamais tremer

Ante meu próprio inimigo

Que vai vencendo o meu querer

Não suporto dissabores

Muito menos meus temores

Que me furtam a esperança

Serelepe como criança

De um dia, a cada dia

Ver em mim crescer...

Meus temores de mim mesmo

Daquilo que sou capaz de ser

Por: Douglas Naegele

Singelo Instante de Ti...

 

Singelo instante de ti:

Por um momento...Eu imaginei que tudo o que escrevias era despedida!

Noutro instante...Melancolia ressequida...

Aborreço-me no perfume desta noite...

Perguntando-me: A quem devo tamanha investida?

Aquela que dentre tantas ofuscou meu próprio brilho

A estrela solitária que hoje brilha em imensidão

Estribilho forte, cantado ante a batalha...

Que é travada em meu coração...

Por: Douglas Naegele

Seu Dono

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Seu Dono:

Sou seu dono, assim como és minha...

Sou de todo e inteiro teu

Para que tu adores e devotes

Seu amor, seu respeito, sua gratidão...

As dores que te causo

São prazeres que eu sinto

Teus gemidos me dizem

Tudo o quanto pressinto

Eu te amo...

Tu és minha

Eu não te abandono

Estou marcado em ti

Em teu corpo, tua mente, teu espírito...

Meu cheiro te inebria

Meu gosto te alucina

Meu toque te encanta

Meu comando te fascina

Tua angústia por me ter

Teu desejo entregue enfim

Nossa hora de prazer

Tu te humilhas para mim

Sou teu dono, assim como és minha...

Desperte agora a loba

Que se refugia em ti

Acorde-a plenamente para viver por fim

Quem ordena não é Deus

Mas, aquele que escolheste...

Venerando eternamente

Sou eu...

Sou seu dono...

E tu és minha!

Por: Douglas Naegele

Para M. minha mulher e meu amor...

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre Ontem À Noite

Sobre Ontem à Noite:

Amei tê-la em meus braços

E puxar os seus cabelos

Morder seus lábios durante o beijo

Apertando seu corpo e fazer treme-lo

Amei ver seus olhos desejosos

Como cadela carente implorando

Que eu, como seu dono...

Abusasse de ti num pandemônio

Seu cheiro adocicado

Seus cabelos em desalinho

Como o silvo da cigarra

Emudece-la em meu ninho

Marcarei a ferro e fogo o meu nome

No seu couro úmido e interior

És, agora, minha escrava...

Dou-te o privilégio de me chamar:

Meu Senhor.

Por: Douglas Naegele

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Saudades:

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Saudades:

Sentimento Estranho

Que me toma o todo

Ausência pura, sem descrição...

De um rombo gigante

Que se alastra no peito

Lembranças sinceras

De momentos felizes

Com mil gargalhadas

E de tantas matizes

Indefinida magia

Qual me alegra em tempo

Avivando a memória

Logrando o intento

Sentimento arredio

Disposto em ansiedade

Alargando-me em seu jeito

Só deixando um sabor...

Um gostinho peculiar...

Prova pura de saudades!

Por: Douglas Naegele

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Seu Olhar:

Seu Olhar

Seu Olhar:

Esse brilho que devora

E milimetricamente me explora

Não responde, nem esconde...

O que de palavras é apenas fonte

Abrange todo um ser aflito

Que tão profano e maldito

Insurge-se no infinito

Invadindo meu próprio mito

Um olhar que me expõe

Quão de perto sobrepõe

A desconfiança que carrego

Na angústia de meu ego

O qual se finge fortalecido

Na alcova de meu abrigo

Mas que no fundo se aliena

Sendo digno de pena

Um olhar que me incentiva

E na verdade me cativa

Faz-me dependente de tê-lo

Ainda que de relance vê-lo

Já que para mim é alimento

E ao mesmo tempo: meu tormento!

Como posso eu viver?

Na argúcia do lembrar...

Urge agora receber

O descanso do seu olhar.

Por: Douglas Naegele

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Tempo Doido Esse...

Tempestade

Tempo doido esse...

Deveríamos estar derretendo de calor.

Mas, o frio é avassalador...

As areias não exibem a nudez esperada

Em vez disso, estão vazias e abandonadas...

À noite quando o chopp estaria embalando,

O vinho se faz soberano.

Onde estão as barriguinhas expostas?

Os piercings à mostra,

Os corpos tatuados,

Sarados e bronzeados?

Ei-los todos encasacados!

A vida noturna do Rio,

Não combina com esse frio...

Antes, o sol com sua energia,

Dava o tino da economia!

Mas, as chuvas constantes,

Que não dão trégua um só instante...

Fizeram o clima londrino,

Do Rio o seu destino!

Mas...Eu posso falar a verdade?

Que nenhum conterrâneo me escute...

Apesar de aqui ter nascido...

Nada contra o Verão ou quem o curte!

Estou amando esse clima, assim tão deprimido...

Tempo doido esse...

Por: Douglas Naegele

Em: 03.12.2006

domingo, 28 de setembro de 2008

Uivos Noturnos:

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Uivos Noturnos:

O silvo do vento tomou seu abrigo

Rompendo o encanto de ser seu amigo

Respostas exatas para o fúnebre intento

De repousar apenas fugindo confuso do maldito vento

Nem toda paz é cativa

Nem toda morte é passiva

Nem toda serpente é nociva

Mas toda desgraça é missiva

Representava a sua mudança

Despertando do sono de criança

Cada vez mais decepcionado

Já que a morte está ao lado

Rasgou suas vestimentas

Reagindo, pregou a tormenta!

Lustrou com saliva seus velhos coturnos

Ouvindo calado os uivos noturnos

Toda guerra é vã

Toda alegria é sã

Toda tristeza tem fã

Toda lágrima é pagã

Porém continuou Lobo

Sempre fiel, mesmo que solitário...

Montou para si um novo diário

Tão tolo, tão bobo...

Onde se mostrou mero otário

Assim, continuou vazio...

Em busca de quê, nem ele sabe...

O vento continuava

E em seus ouvidos a morte uivava!

Por: Douglas Naegele

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ossos Secos:

Ossos secos

 

Seco vale dos ossos secos

Das tétricas manhãs cinzentas

Sem gramas, sem árvores...

Paixões violentas!

Onde a vida de se esvai e escoa

De modo permanente entoa

Uma canção de lamento

Que encontra audiência

Envolta ao tormento

Surdas lápides tranqüilas

Deixadas marcadas

Por fétidas vísceras dilaceradas

De quem quer que fosse

Ali encontradas

Deram o toque final... À fome de algum animal.

Contudo, agora...

Sem os raios da aurora,

Sombrio e medonho

Esse vale tristonho

Seco vale dos ossos secos

Por: Douglas Naegele

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Solo Sagrado

Solo Sagrado 2

Solo Sagrado:

Descansa em solo sagrado

A história de um mundo mudado

Por letras escritas em mim

Tatuadas em meu corpo, enfim

Distante de onde eu venho

Como a moagem de um velho engenho

Reescreve em curta memória

Um épico como o de Tróia

Narrado com voz embargada

De frente a uma lareira apagada

Soando tão falsa como a vida

Depois, em carrara esculpida

Essa lenda que conta o meu ser

Com toda dificuldade de ler

Curado tal qual numa mágica

Falida página trágica

Que revela a sutileza

Na plenitude de mera beleza

De anos contados por vis

Com balas de canhões ou fuzis

Profundas maquinações

De intricadas razões

Levaram então a minha morte

Mas, não contavam com a sorte

Que num ato de simples vingança

Trasladou a pobre esperança

Que sofria em profunda ruína

Mantendo uma fidelidade canina

Na mão do seu benfeitor

O qual atestava com profundo horror

Que aquele corpo inerte

Ainda que como um vampiro desperte

Só poderia ser meu

Um misto de judeu e ateu

O mesmo crente desalmado

Que acorrentou-se no pecado

Nesse instante jazia

Tal qual uma mala vazia

Servindo em prata bandeja

Derrotado na última peleja

Meu corpo pálido de herói

Figura opaca que um sopro destrói

Varrido e seco

Assim como esterco

Em hora obtusa e vã

A uma divindade pagã

Envolto em puro mistério

Na cova rasa de um cemitério

Morri sem orgulho ferido

Do mesmo modo bandido

Em que meus anos vivi

De muitas delícias servi

Com o corpo sobrepujado

Por vezes violentado

Deixo a todos a minha história

De desonra e boa memória

Pois, descanso em solo sagrado

Mesmo que em cova rasa

Tendo sido herói

Abatido como bandido

Me encontrando todo torto

Como os versos finais que escrevo

Horríveis, mas com eles pareço

Eu, descanso, em solo sagrado...

 

Por: Douglas Naegele

Em: 12.12.2006

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Poeta Ordinário:

Poeta ordinário

Poeta Ordinário:

Lábios vermelhos

Em profundo desejo

Sorve-me a língua

No mesmo ensejo

Valha-me!

Agora... Ser miserável.

Repugnante e desprezível

Pretenso poeta ordinário

O que te fluem?

Desta boca maldita

Crivada de lixo

Em termos menores

Seus versos aflitos

Cansados, piores...

Enquanto recita

“A flor é bela e manca,

A flor mais bela panca...

Espanca a flor que é bela

O nome de uma deusa

Florbela Espanca “.

Por: Douglas Naegele

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Vencido

Sub

Vencido:

Dei-me por vencido

Não posso mais lutar contra o que sinto

Sei que minha alucinação

Não está num frasco de absinto

Nem minha alegria de vida

Em morte consumida

Penso em ti a todo instante

Devora-me um desejo...Alucinante!

Alegro-me por saber que és minha

Só minha...Para o meu prazer...

Posso possuí-la, posso até usa-la...

Pois é minha...E pronto!

Até que estejas pronta

Para eu domina-la de fato

De modo paulatino... Eu aguardo.

Quando estiveres pronta...

Diligentemente te treinarei

Ensinarei a ti tudo o que sei

Em teu adestramento

A ti conhecerei

Sou teu dono, teu amo...

E tu és minha...

Para quando eu quiser,

E pronto!

 

Por: Douglas Naegele.

domingo, 10 de agosto de 2008

Os Gatos:


Soturnos animais noturnos,


Assim os gatos são.


Não trazem sobre si nenhum infortúnio,


Soberanos da madrugada... Reinam nos telhados.



Esgueiram-se pelas sombras


Em nobre mansidão,


Observando das trevas


A franca decadência,


De nossa Civilização



Os gatos são assim.


Vagueiam entre o mundo físico e o espiritual...


Dizem até que os esquecidos,


Humanos incompreendidos,


Que no Limbo agora vagueiam


Deles são companheiros sem igual!



Espíritos desencarnados


Errantes e abandonados


São vistos e notados,


Em qualquer lugar pelos gatos...



Eu gosto de gatos...


De todos os tipos.


Para muitos são meros caçadores de ratos.


Mas, para mim... Amigos de verdade, isso sim!


Assim são os gatos...



Por: Douglas Naegele

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Mentiras...

mentiras

Mentiras:

Não quero mais vê-la

Não quero mais te-la

Não quero beija-la

Nem abraça-la

Não quero!

Não quero mais sentir seu perfume

Nem deslizar minhas mãos por sua pele...

Emaranhar meus dedos em seus cabelos

Ou ouvir a sua voz...

Seus queixumes

Não quero!

Não quero sentir seu cheiro em meu travesseiro

Nem seu corpo colado ao meu

Não quero sentir o sabor de seus lábios

Nem o ardor de sua língua

Não quero sentir o calor de seu ventre

Nem seus gemidos

Eu não quero...

Quantas bobagens... Quantas mentiras!

Por: Douglas Naegele

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Luz e Trevas

Luz e Trevas

Luz e Trevas:

Invadindo... A força da Luz,

No centro da sala

Empurra e conduz

A sombra resistente que cala

Na falta de arbítrio

Que livre consente

A penumbra em martírio

Morre indigente

Pensamentos esguios

Trôpegos, de certo...

Confundem-se vazios

Com gemidos de um coração aberto

Decência de família

Que compõe o abstrato

Com recalcada maestria

E valores putrefatos

Tão ditoso esse mundo interno

Dessa sagrada família

De personagens que se falam

Se ocultam e se matam

Mas, de tudo silencia

Vivenciam estereótipos corrompidos

Os quais no imaginário populam

Papéis há séculos descritos

Vistosos e vis, no eterno confabulam

Me cansei de tudo isso

Daí, desisti de fugir!

Quero clarear minh'alma

Quando muito insistir

Em fazer da Luz meu destino

E só no bem existir

Esse Amor puro que busco

Desistindo das infâmias

É, por certo, meu descanso final

Atracadouro de uma vida

Que apenas, começou...

Por: Douglas Naegele

domingo, 27 de julho de 2008

Kadu


Kadu

Da liberdade que fomos privados
Na escuridão nos imposta, encarcerados...

Canhões e fuzis agora calados
Com a foice e o martelo tão cansados

Solto o grito na garganta engasgado:
Eu voto... Kadu Machado!

Por: Douglas Naegele
Em: 24/07/2008

domingo, 20 de julho de 2008

Degeneração


Degeneração:


A amargura faz com que o tempo escorra
Como o ardor de um veneno em gotas
Que pelo canto de meus lábios quer que eu morra

O saldo final
Tributado pela vida
Diz-me da juventude querida
A degeneração é natural

Meus tecidos apodrecem
Meus músculos enrijecem
Meus ossos viram pó
Porque do “pó viestes ao pó voltarás”
Fragmentam em sedimentos
Que comporão um solo fértil
Que este corpo estéril
Em paz descansará

Morro sim, sem medo...
Meus anos contam remendos
Cheguei à fase das dores
De tantos dissabores...
Perdi-me na angústia
De saber que nem mesmo um dia
Tenho mais do vigor vivido
E de prazeres obtidos
Foram-se todos para sempre idos

Mas não sofro, pois sei que morro!
De velhice suponho...
O meu corpo? Ah! O meu corpo... É mera ilusão.


Por: Douglas Naegele
Em: 11.02.2007

Aniversário


Aniversário:

O que me alenta é saber que os meus dias por vir
Serão menores do que os que se foram...
E minha agonia em breve cessará.

Farão uma festa hoje, comerão e beberão.
Mas, para mim pouco importa...
O vazio continuará!

Minh’alma carrega tantos dissabores...
Que as desilusões nem me atrevo a contar.
Perdas e danos que tive,
Dores profundas causei...
E a amargura no meu peito em tanta sofridão
Só me diz que no fim de tudo,
Eu retorno à solidão.

Os momentos de alegria,
Se é que um dia houveram,
De tão efêmeros que foram,
Esvaíram-se, de nada valeram.
Nem lembranças há...

Daqui a pouco todos irão embora.
E só restará a mim...
Um resumo no diário,
Muito breve e hilário:
Feliz aniversário!


Por: Douglas Naegele
Em: 20/07/2007

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Garagem


Garagem:


Isso aqui é uma vitrine
De gente que ainda nem é gente
Compensando a timidez
Afogando a lucidez

Juventude embriagada
Em vez de tomar o mundo
Não entende quase nada
Nem sabe algo profundo
Com quase tudo se enerva
Tudo aquilo que venera
É tão fútil em substância
Tão vazia em conteúdo
Mas, se apega na arrogância
De moços corpos passageiros

Se soubessem que a idade vem
E seus ímpetos hão de cessar
Mesmo que seja distante
Irá chegar esse dia
Em que trabalho, casa, família
Compras, contas e dinheiro
Envoltos de tal desespero
Irão lembrar concretamente
De noites pouco inteligentes
Em que endeusavam o álcool do aguardente
Negando um futuro por vir
Conclamados indigentes

Projetando singela imagem
Daquelas noites no Garagem...


Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.06

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Gotas de Veneno


Gotas de Veneno:

Brotam dos meus poros
Gotas de veneno
Nutrem firmemente meu desejo...
De vingança!

Mas, se ela me dará prazer...
Um cálice de esperança
O fel que me reveste
Escorre como ácido
Com sutil elegância
Gota a gota... Ardendo!
Em gotas de veneno...

Oh! Abominável criatura
De ti quero distância
Ora, confunde-se comigo...
Estúpida e imatura
Num desejo de criança

Infeliz poeta
Inútil e estúpido
Embriaga-se em ódio
Como gotas...Gotas de veneno!

Por Douglas Naegele
Em: 29.03.2007

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O Silêncio

Silêncio

O Silêncio:

Mudo e surdo

Não quero ouvir, nem falar...

Minha irritação é tanta

Não suporto sentir... Quero gritar!

Tomado pela insanidade

Repito amarguradamente os meus dissabores

Tu deusa-demônio, fazes parte deles...

São eles...

Busco inocentemente exorciza-la de mim

Mas, como uma droga... Quero mais uma dose, enfim.

Horrível sensação de impotência

Sem sinal de vida ou consciência

Mente e cérebro triturados

Com meus sonhos torturados

Mudo e surdo...

É assim que eu quero estar

Vã tentativa...

Continuo lembrando...

Continuo gritando... Em silêncio.

Por: Douglas Naegele

terça-feira, 17 de junho de 2008

Esquina Torta


Esquina Torta:

Estranha esquina
É aquela torta
Onde a mulher agora morta
Ali fazia ponto
Troçando com algum tonto
Os descaminhos da fé alheia
Tecendo maldades como a aranha à teia

Desfez-se de modo delirante
Ao fálico poste triunfante
Agonizando sozinha
Pois, nem súplicas tinha...
Quando derramada fora
Portando uma caneca moura
Caiu na estranha esquina
Sim... Naquela torta!

Por: Douglas Naegele
Em: 15.05.2006

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Marcas

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Marcas:

Marcas...

Essas que deixei em tu’alma

As mesmas que tatuei em teu espírito

As quais dominam tua mente

Com meu cheiro e meu gosto

De tão impregnadas que tu sentes...

Sim, essas marcas...

Agora impressas em tua pele

Espalmadas por minhas mãos

No momento em que teu furor explodia

Tua seiva em meu ventre escorria

Enquanto tua carne minha rigidez envolvia

Ah! Essas marcas...

Doces e doloridas marcas

Vermelhas que nasceram

Arroxeadas que estão

Que sempre serão sentidas

Eternas...Para mim exibidas,

Como prova de tua submissão

Marcas...

Com as quais tu caminhas

Dentre tantas da vida

São estas as minhas

Carregue-as com gosto

Já que em tua pele trazes exposto

Meu nome, enfim...

Nestas marcas...

Por: Douglas Naegele

terça-feira, 13 de maio de 2008

Lagrimas

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Lágrimas:

Lágrimas inocentes

Derramadas pelas mentes

Destroçadas dessa gente

Infantil e inconseqüente

Nem um pouco previdente

Muitas vezes indecente

Cheia de dores pertinentes

E sentimentos tão latentes

Nos corações efervescentes

Afogados em aguardente

São apenas lágrimas... Lágrimas de minha gente.

Por Douglas Naegele

Em: 24/10/2007

sábado, 3 de maio de 2008

Contratempos


Contratempos:

Os dias se passam, carregando-me da candura...
Com eles vagueio entre a sanidade e a loucura
Como aquela loira menina
Que diante do espelho se viu feminina
Cruel realidade... Por que tanto receio?
Sou um vento perdido, sem rumo ou esteio!

Lendo mensagens criptografadas, secretas...
Deixadas na parede do tempo, sem corruptelas...
Revelando-me emoções destiladas
Quando muito, martirizadas...
Por quem deveria ser minha razão de viver
Só que por hora, agoniado me deixa, por não querer saber!

Nos conflitos sobrepostos do dia-a-dia
Em torturas recalcitrantes de um pai que procura a filha
Em que lugar, em qual viela?
Onde fora parar minha filha mais bela?
Tempos postos, interpostos, “só por hoje” a cada dia...
Condeno-me, ao limitar, minha ação a uma só trilha.

Corro agora, para o porto...
Um navio vem chegando!
E com ele a alegria...
Que fugira de mim, assim, sem dizer...
Para onde ela iria, se poderia me escrever... Até mesmo me esquecer!
Onde estavas? Eu pergunto...
Eu não sei...Nunca houve um bilhete, um recado...Qualquer menção!

É certo que agora voltara
Ela está por perto e eu posso sentir
Boa lembrança trago daqueles momentos
Sem que existissem quaisquer contratempos
Essa coisa que flui em mim... Tem nome?
Sim, se chama... E que chama... Chama-se: Saudades...
Ainda bem que voltou!

Por: Douglas Naegele
Para Marcia, minha amada de sempre...Obrigado!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Lacerações:

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Lacerações:

Essas dores compostas e impostas

Por minha própria identidade

Refúgio vazio e esguio

Desta putrefata cidade

Dispõe-me de amigos sinceros... Espero!

Que em busca de um ralo imundo

Onde se encontra minh’alma

Sofrida, perdida... No lodo mais fundo...

São concretados em paredes mofadas

Sem tinta, nem nada...

A mesma parede vendida

Lascada, rachada... Que é minha vida!

Meus amigos se ferem

Com insetos que fedem

Seus humores se perdem

Para onde eles foram?

De que adianta romper a mesmice

De tão fúteis emoções

Se nas distintas palavras escritas... Não ditas

Transformam-se nas mais belas e corretas lacerações

E quando meu peito vadio

Cinge-se com o vermelho do sangue

Sabendo que a tormenta vindoura

Transmuta todo o amor condizente

Nas mais contundentes e verdadeiras razões...

Pai, eu não presto!

Até meu amor por ti, eu empresto...

Me sinto de tudo um resto

Escrito assim num manifesto

E agora, o que sobra?

De fato...

As ditas, malditas... Lacerações.

Por: Douglas Naegele

Em: 16.04.07

domingo, 20 de abril de 2008

Entre a Cruz e a Espada


Entre a Cruz e a Espada:

As cruzadas não foram santas
Nem a cruz tão pouco espanta
Morte e vilanias
Carcomeram as honrarias
De destemidos cavaleiros da Aliança
Que sonhavam conquistar a liderança
De uma Terra onde viveu
Aquele que vibrantemente é chamado de Filho de Deus
Quais seriam as esperanças
De pobres velhos e crianças
Quando os grandes protetores
Escudados pelos nomes dos seus senhores
Saqueavam e torturavam
Lindas virgens estupravam
Quantas mais atrocidades
Abençoados pelo Bispo da Eterna Cidade
Carregando estandartes da Romana Igreja
Embriagados pelo poder adquirido em peleja
Ao voltarem para casa
Casos de batalhas, um tanto vagas
Feitos heróicos e inimigos abatidos
Vitórias conquistadas em nome de Cristo
Onde estavam os troféus dos infiéis convertidos?
Uma história de ruína e cobiça
Fedendo mais do que carniça
Foi sendo mascarada
Transformando verme em alma abençoada
Mesmo com o sangue corrompido
O remorso de famílias desde o leito
De corações arrancados do próprio peito
Tempos depois, bem mais tarde
Foi-nos chegando a verdade
E aqueles que foram santificados
Na boca do povo endeusados
Eram meros assassinos
Não valiam a vida de um suíno
Pois, como porcos viveram
Das atrocidades que cometeram
Não mais mereciam em altares adorados
Permanecerem venerados
Assim, com o fim da hipocrisia
Trouxe a lembrança tardia
Das vítimas que pela espada
Tiveram suas vidas ceifadas
Sendo assim, num breve momento
Os filhos da Verdade, herdeiros da Cruz
Pedindo perdão do tormento
Causado por tanto sofrimento
Ajoelharam-se diante da descendência
Daqueles que na sua inocência
Tiveram seus corpos mutilados
O patrimônio destroçado
Indo viver na calçada
Entre a cruz e a Espada...



Por: Douglas Naegele
Em: 01.12.06

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Eclípse


Eclipse:

Soterrado dentre os montes
Espia sorrateiro
Aquele que um dia
Fora chamado Luzeiro
Seu bramido em borbotões
Vasculhou todos os rincões
Pois, o flagelo divino aliciava.
Em uma noite de horror
Com fervor alucinava


Vísceras e sangue que corria como um rio
Brotavam de sujas criptas parindo a um filho


Quais seriam seus algozes?
Que tais cães ferozes
Devoravam a si mesmos
Atingindo alvo a esmo


Contudo, enigmaticamente...
Agora se esconde, complacente.
Espiando, assim expia...
Enterrado sob o monte
Sua luz de nós desvia
Movimento de elipse
Faz-se noite... Um eclipse.


Por: Douglas Naegele
Em: 04.03.2007

terça-feira, 1 de abril de 2008

Escrava


Escrava:

Quero sufocar-te com meus beijos
Enquanto as mãos amassam teus seios
Meu corpo nu pressionando o teu em atitude
E tu me implorando que não te machuques

Não existem promessas, nem mesmo mais regras...
Somente dois seres unidos no ventre
Singelas quimeras

Não deixarei apenas minha marca
A tomarei completa, sorvendo-te a alma...
Para que me contentar com o corpo?
Se puder reter-te o espírito!

És minha agora e serás para sempre
Não há mais rituais a dominarem tua mente
Pois, assim tu quiseste e te entregastes.
Seu corpo... E sua alma...
De livre e espontânea vontade!

És minha, sem brincadeiras, e a sério!
Deleito-me com isso, enquanto eu quero!

Serve-me agora...
Dispenso perguntas!
Exijo-te devota de minha gratidão...
Sou eu... Seu amo eterno, que te guarda...
E tu...Tu és apenas minha escrava!


Por: Douglas Naegele
(Para M. minha... que tanto amo)

terça-feira, 25 de março de 2008

Minha Namorada

choro-de-namorada

Minha Namorada:

Ao acordar esta manhã

Lembrei-me de tua voz à noite

Imaginei o teu sorriso contido

O Coração em disparada

Tua ansiedade pela hora marcada

Ao levantar observei o dia

Ainda no escuro ia

O luar em minguante

Cercado de estrelas brilhantes

Polvilhando o céu no fim da madrugada

Como uma renda de diamantes...

As horas que não passam!

Se arrastam...

Eu quero falar-te

O quanto na verdade, ainda que distante...

Eu sinto este amor insano e delirante

Mas, a saudade aumenta...

E a distancia castiga!

Ao mesmo tempo em que instiga

O sofrimento em mim,

Poeta tosco...

Quer nada deve à vida

Apenas gratidão de te-la encontrado

Enquanto pela solidão era devorado

Obrigado minha amada

Muito grato por sua vinda

Agora que a espera finda

Te batizo com prazer...

És Loba...

És mulher...

És minha namorada!

Por: Douglas Naegele

Para Marcia, minha mulher, com todo amor que eu nutro...

sábado, 8 de março de 2008

Mulher


Mulher:

Criação divina, celestial guerreira...
Posta aqui na Terra para vencer a podridão
Estuprada, violentada em sua casa abusada!
Permite ao macho sobrepujar sua mansidão...

Tomando a vida com sua garra
Transformando-a na marra
Na lembrança das operárias queimadas vidas
A quem dedicamos esse dia
Tu mulher, que hoje eu me inspiro...
És a seiva do destino
Deste mundo doentio
O qual sem dúvida e com correção
Dependente de ti se tornou em completa devoção

Amamos o teu corpo
Gozamos em teu ventre
Adoramos como deusa
Nossa Senhora que agüente!

Serás sempre mãe, irmã, companheira...
Porém, eternamente mais do que amante...
Chamar-te-ão: Rameira!
No entanto, no instante seguinte, abrirá os seus braços...
Abençoando e amando
O podre infeliz
Que perdido e desesperado
Buscar-te-á como raiz

Eu te amo mulher...
Minha vida vem de ti!


Por: Douglas Naegele
Em: 08.03.2007

segunda-feira, 3 de março de 2008

Dores


Dores:


Dores imensas são as que eu sinto
No coração, no peito...Desilusão de amor
Banhado de sangue, vou a outro recinto
Turva a visão com minha dor
Cambaleio até o terraço
Tantos fantasmas e ilusões que não há espaço
Vou saltar da sacada, mas sou impedido
Dizem que o ato não faz sentido

Carregado de culpa me vejo indigno
Se amei demais eu confesso a graça
Não é preciso viver a farsa
Servindo com diligência a esse deus maligno
Quantas vezes perdoei sem qualquer pudor
Aceitei a volta, não me dei valor
Tratei como soberana a minha humilhação
Fui brindado com desprezo, mentira e traição

Recebo agora a coroa da sorte
Recomeçar para que, se eu não sou forte?
Honraria-me mais uma bela morte
Numa contenda feliz de fato um belo esporte
Sem um cais seguro onde eu aporte
A dor sai do meu peito com um certeiro corte
Arranco dele a paixão e sigo rumo norte
Num penhasco eu me vejo de pequeno porte
Desta vez eu me jogo não há quem aborte

As dores? Elas se foram...


Por: Douglas Naegele
Em: 04.02.2007

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Memórias

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Memórias:

Fragmentos intensos

Os quais nos permitem

Guardar para sempre

Coisas que existem... Ou não.

Sorrisos eternos

Palavras obscenas

O corpo suado

A pele morena

Um olhar rotineiro

Saliva de fruta nodosa

Numa manhã tão chuvosa

Na suavidade da rosa

Me entrego... Inteiro.

O silvo da cigarra

O olor da relva molhada

Suspiros da mulher amada

Minha Loba...

Fêmea alucinada

Segredos que persistem

Intrigas que existem

Essas memórias insistem

Por apenas isto que são... Memórias

Que nunca se vão!

(Para Márcia... Minha mulher e minha Loba... Amor Eterno).

Por: Douglas Naegele

Em: 22/02/2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Corvo Maldito


Corvo Maldito:


Entorpecido pela dor de sua ida
Obscurecido sem a luz de sua vida
Vago, declinante...
Como matéria consumida
Um epílogo delirante
Mas, ali insistente...
Translúcido...Existente!
Nunca mais, Corvo maldito!


As forças do recomeço
São fagulhas de um isqueiro vazio
Empapando de enxofre
A inutilidade de um abalroado navio
Brilham e não incandescem
Sendo assim, de nada servem...
Nunca mais, Corvo maldito!


Corvo maldito que foi embora
Levou consigo a minha história
Pereço...
Pois, sei que mereço!
Essa derribada trajetória
Mais agora que já tarda
O espectro da madrugada
Volta, volta, volta...
Nunca mais!



Por: Douglas Naegele
Em: 19.03.2007
(Incidental sobre o poema de Edgard Alan Poe: O Corvo).

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Declaração de Um Morto


Declaração de um Morto:




Declaro-me morto!


Não sinto, nem quero nada...


Suma-se com o vento...


Musa decantada!


Recuso-me às notícias


Que em vez de primícias


Contam e recontam dores


Preciosos temores


Declaro-me morto!


Se é que eu vivi...



Por: Douglas Naegele
Em: 04.03.2007

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Clareia


Clareia:

Clareio a Noite
As estrelas no Alto
A Lua ilumina o meu caminho
O verde da terra
O vermelho nos olhos
Vingança fértil
Clareio a noite...

Batalha nas trevas
Da noite dos homens
Guerrilheiros perdidos na Paz do Universo
Torturas na carne, nos ossos de todos...
Vingança fértil
Clareio a noite...

Anjos caídos desonram as damas
Eternas lamúrias daqueles que sofrem
Arregaçados por tanta e infeliz violência
Que arranca de nós a sutil inocência

Clareio a noite... A Noite clareia.
Escurece o dia... Escureceu!

A mordaça silenciosa
Que nos impuseram
Reclamam da dor daquele inocente
Mas não deixam de se carnalizar
Vibrando, pulando... Diversão de dementes!
Quando o povo sofria com as dores sentindo.
Esfolava-se a pele daquele menino

Cada qual o seu canto...
Cada noite o seu manto
Cada monge o seu pranto
Espanto!

Triste fim da melancolia que se encerra em meio de tanta alegria!

Por Douglas Naegele
Em: 24/02/2007
(homenagem ao Carnaval 2007 esquecendo a atrocidade cometida ao jovem João Hélio, 6 anos, arrastado ao longo de 7 km por assaltantes até a morte).

domingo, 27 de janeiro de 2008

Condenação


Condenação:

Por que me rejeitastes justiça primeva?
Onde está o meu erro?
Não pedi para ser tão belo, inteligente.
Como então, me condena às trevas?

No santo equinócio de dezembro
Quando o dia se torna mais curto
E o breu da noite alça o domínio
Gélidos ares rasgam meus membros
O Espírito imundo vagueia em surto
Apontando para a carne seu próprio declínio

Todos os pontos do meu próprio fracasso
Fulguram exuberantes no meu epitáfio
Sobremodo ternuras desinteressantes
Antítese eterna de seu cerne pulsante
Minhas horas estão por um fio...
Males noturnos, nem sequer um mormaço...

De longe coordenas minha execução
A minha beleza e tal sabedoria
Serviram de libelo para acusação
Que prazeres sentidos pela promotoria...

Eu caí... Tu não me queres
As chamas e o enxofre me são naturais
Onde errei?

Tu Deus me feres...


Por: Douglas Naegele
Em: 14/01/2007

sábado, 12 de janeiro de 2008

Calafrios


Calafrios:

Os calafrios que percorrem meu ser
São testemunhas incontestáveis de meu abandono
Entrego-me à solidão ao deitar-me à noite
Percebendo o vazio que se alastra em mim...

Ausência e carência se misturam
Até que as letras do texto se confundam
E a angústia solidária
Assim, se dissipe...

Fazendo-me crer que de fato Deus existe!

Um sono conturbado,
Doido... Perturbado?
Na minha insanidade,
Minha algoz, a quem venero...
Me jura lealdade!

Sinto o chicote cortando
A lâmina afiada do punhal
Rasgando minhas entranhas
Traído...

Acordo... E os mesmos calafrios
Retomam seu assento
Expulsam a assassina...
Venerada, amada... Estranha.


Por: Douglas Naegele
Em: 04/03/2007

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ausência


Ausência:


Foi você veio a mim!
Invadiu a minha casa
Arrombou meu coração
E fez dele sua morada
Arrumando do seu jeito
Decorando por encanto
Abusou por completo
Conduzindo meu movimento
Cobriu-me com seu manto

Sobreveio-me agora...
A agonia da sua ausência.
Para onde fora?
Deixando-me assim...
Com a casa desarrumada
O coração esfacelado
Sozinho, então fiquei...
Nem procurar eu quis

Sofro só para meu espanto...
Meu destino infeliz!


Por: Douglas Naegele
Em: 01/03/2007

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Antipoema


Antipoema:


Tange tranqüilo o falso fonema
Lamúrias inversas de um antipoema
Nas argúcias do tempo só um lamento
Destoa na grota um profundo tormento

Gemido de dor
Entoado terror
Rangeres de dentes
Chacoalhar de correntes

De um fantasma tristonho
Com o qual eu componho
Assombrado por ele em dias confusos
Livrando demônios, arredios intrusos...

Arremeto-me à ajuda diante do tema
Tal qual a imprudência de um antipoema.


Por: Douglas Naegele
Em: 04/03/2007

sábado, 5 de janeiro de 2008

Anti-Cristo


Anti-Cristo:


Não sou contra a paz na Terra
Toda via, contra toda guerra!
Não sou contra o Amor
Mas, contra a miséria, a fome e dor...
Eu sou!


Pratico sempre a Caridade
Agindo sempre com Lealdade
Faço o bem de graça
E mesmo sob ameaça
Abençôo o meu inimigo
Respeitando seu ódio para comigo


Adversário da hipocrisia...
Contra a qual travo no dia a dia
Uma luta desumana
Contra essa sociedade insana
Eu sou!


Massacrado e crucificado
Ofendido e ridicularizado
Como poucos: odiado
E assim como da sua casa o profeta...
Sou expulso da igreja a ponta de seta
Pelos defensores da histeria
Camuflada de Teologia
Para que suas próprias vontades
Sejam ditas como verdades!


Julgam-me e condenam
À fogueira sentenciam
Nem sei por que insisto?
Já me rotularam...
Anti-Cristo!

Por: Douglas Naegele
Em: 16/03/2007

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Amor Lobo


Amor Lobo:

A noite suave chegara
Suave e morna
Ao contrário da gélida chuva
Que o dia castigara

Solitário e taciturno o Lobo
Vagueia na floresta, aflito...
A despeito de sua natureza... Isolado.
Busca incessantemente pela companheira...
Lobo coitado!

Alcançara uma presa
Deliciara-se em fartura
Montara sua toca para a espreita
Na passagem da fêmea
Para sua clausura...

Nova chuva caía
E já clareava o dia
Quando numa emboscada
Perdida e atormentada
Bela cinzenta encurralada
A dentadas e rosnadas fora levada
Para a toca quente e seca a ela preparada

Da presa abatida
Pelo macho protegida
Entregara-se em seu cio
Em paixão fulminante
Tempos depois... Em um dia frio.
Nasceram em algazarra
Os filhotes da ninhada

Os lobos não se separam nunca
Depois de juntos... Em alcatéia.
Vivem e morrem
Fiéis e resolutos
Até o final... Para sempre juntos...

Não sei você, mas eu sou fiel... Eu sou Lobo!

Por: Douglas Naegele
Em: 08/01/2007

Açoites


Açoites:


Temerário dia
Profícua noite
Atravesso o umbral
Fugindo do açoite

Os comentários tão cortantes
Como a adaga traiçoeira
Que no muro de um castelo
Empurra-me para o inferno

Derrubadas as masmorras
No colapso do sistema
Desta burguesia torpe
Embriagada pela aparência
Que teima em sustentar

Seleciona agora o tema
A quem a ela se acorrenta
Naufragando na hipocrisia
De uma moral vazia
Totalmente apodrecida

Distorcendo o próprio ego
Aniquilando o eu
Subtraindo a identidade
De um profeta ateu
Que quando muito ainda explora
As palavras como agora
Mesmo que violentado
Sangrando amaldiçoado
Esfolado em plena noite
Na ponta de um açoite


Por: Douglas Naegele
Em: 20/01/2007

Feliz Ano Novo!


Feliz Ano Novo!

Feliz guerra nova!
...Atentado ao metrô na Europa!
...Homem bomba palestino!
...Torres Gêmeas...
...Ocupação do Iraque...
...Teste nuclear norte-coreano!!

Feliz miséria da periferia!
...Exploração de menores...
...Prostituição infantil...
...Violência urbana...
...Ônibus queimado no Rio!!

Feliz desmatamento da Amazônia!
...Buraco na camada de ozônio...
...Aquecimento Global...
...Mídia hipócrita...
...Corrupção nacional!!

Feliz desempregados!
Feliz sem teto!
Feliz burguesia sonsa!
Feliz descaso dela!
Feliz abismo social!

Feliz Ano Novo!


Por: Douglas Naegele.
Em 31.12.2006