domingo, 27 de janeiro de 2008

Condenação


Condenação:

Por que me rejeitastes justiça primeva?
Onde está o meu erro?
Não pedi para ser tão belo, inteligente.
Como então, me condena às trevas?

No santo equinócio de dezembro
Quando o dia se torna mais curto
E o breu da noite alça o domínio
Gélidos ares rasgam meus membros
O Espírito imundo vagueia em surto
Apontando para a carne seu próprio declínio

Todos os pontos do meu próprio fracasso
Fulguram exuberantes no meu epitáfio
Sobremodo ternuras desinteressantes
Antítese eterna de seu cerne pulsante
Minhas horas estão por um fio...
Males noturnos, nem sequer um mormaço...

De longe coordenas minha execução
A minha beleza e tal sabedoria
Serviram de libelo para acusação
Que prazeres sentidos pela promotoria...

Eu caí... Tu não me queres
As chamas e o enxofre me são naturais
Onde errei?

Tu Deus me feres...


Por: Douglas Naegele
Em: 14/01/2007

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