domingo, 27 de janeiro de 2008

Condenação


Condenação:

Por que me rejeitastes justiça primeva?
Onde está o meu erro?
Não pedi para ser tão belo, inteligente.
Como então, me condena às trevas?

No santo equinócio de dezembro
Quando o dia se torna mais curto
E o breu da noite alça o domínio
Gélidos ares rasgam meus membros
O Espírito imundo vagueia em surto
Apontando para a carne seu próprio declínio

Todos os pontos do meu próprio fracasso
Fulguram exuberantes no meu epitáfio
Sobremodo ternuras desinteressantes
Antítese eterna de seu cerne pulsante
Minhas horas estão por um fio...
Males noturnos, nem sequer um mormaço...

De longe coordenas minha execução
A minha beleza e tal sabedoria
Serviram de libelo para acusação
Que prazeres sentidos pela promotoria...

Eu caí... Tu não me queres
As chamas e o enxofre me são naturais
Onde errei?

Tu Deus me feres...


Por: Douglas Naegele
Em: 14/01/2007

sábado, 12 de janeiro de 2008

Calafrios


Calafrios:

Os calafrios que percorrem meu ser
São testemunhas incontestáveis de meu abandono
Entrego-me à solidão ao deitar-me à noite
Percebendo o vazio que se alastra em mim...

Ausência e carência se misturam
Até que as letras do texto se confundam
E a angústia solidária
Assim, se dissipe...

Fazendo-me crer que de fato Deus existe!

Um sono conturbado,
Doido... Perturbado?
Na minha insanidade,
Minha algoz, a quem venero...
Me jura lealdade!

Sinto o chicote cortando
A lâmina afiada do punhal
Rasgando minhas entranhas
Traído...

Acordo... E os mesmos calafrios
Retomam seu assento
Expulsam a assassina...
Venerada, amada... Estranha.


Por: Douglas Naegele
Em: 04/03/2007

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ausência


Ausência:


Foi você veio a mim!
Invadiu a minha casa
Arrombou meu coração
E fez dele sua morada
Arrumando do seu jeito
Decorando por encanto
Abusou por completo
Conduzindo meu movimento
Cobriu-me com seu manto

Sobreveio-me agora...
A agonia da sua ausência.
Para onde fora?
Deixando-me assim...
Com a casa desarrumada
O coração esfacelado
Sozinho, então fiquei...
Nem procurar eu quis

Sofro só para meu espanto...
Meu destino infeliz!


Por: Douglas Naegele
Em: 01/03/2007

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Antipoema


Antipoema:


Tange tranqüilo o falso fonema
Lamúrias inversas de um antipoema
Nas argúcias do tempo só um lamento
Destoa na grota um profundo tormento

Gemido de dor
Entoado terror
Rangeres de dentes
Chacoalhar de correntes

De um fantasma tristonho
Com o qual eu componho
Assombrado por ele em dias confusos
Livrando demônios, arredios intrusos...

Arremeto-me à ajuda diante do tema
Tal qual a imprudência de um antipoema.


Por: Douglas Naegele
Em: 04/03/2007

sábado, 5 de janeiro de 2008

Anti-Cristo


Anti-Cristo:


Não sou contra a paz na Terra
Toda via, contra toda guerra!
Não sou contra o Amor
Mas, contra a miséria, a fome e dor...
Eu sou!


Pratico sempre a Caridade
Agindo sempre com Lealdade
Faço o bem de graça
E mesmo sob ameaça
Abençôo o meu inimigo
Respeitando seu ódio para comigo


Adversário da hipocrisia...
Contra a qual travo no dia a dia
Uma luta desumana
Contra essa sociedade insana
Eu sou!


Massacrado e crucificado
Ofendido e ridicularizado
Como poucos: odiado
E assim como da sua casa o profeta...
Sou expulso da igreja a ponta de seta
Pelos defensores da histeria
Camuflada de Teologia
Para que suas próprias vontades
Sejam ditas como verdades!


Julgam-me e condenam
À fogueira sentenciam
Nem sei por que insisto?
Já me rotularam...
Anti-Cristo!

Por: Douglas Naegele
Em: 16/03/2007

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Amor Lobo


Amor Lobo:

A noite suave chegara
Suave e morna
Ao contrário da gélida chuva
Que o dia castigara

Solitário e taciturno o Lobo
Vagueia na floresta, aflito...
A despeito de sua natureza... Isolado.
Busca incessantemente pela companheira...
Lobo coitado!

Alcançara uma presa
Deliciara-se em fartura
Montara sua toca para a espreita
Na passagem da fêmea
Para sua clausura...

Nova chuva caía
E já clareava o dia
Quando numa emboscada
Perdida e atormentada
Bela cinzenta encurralada
A dentadas e rosnadas fora levada
Para a toca quente e seca a ela preparada

Da presa abatida
Pelo macho protegida
Entregara-se em seu cio
Em paixão fulminante
Tempos depois... Em um dia frio.
Nasceram em algazarra
Os filhotes da ninhada

Os lobos não se separam nunca
Depois de juntos... Em alcatéia.
Vivem e morrem
Fiéis e resolutos
Até o final... Para sempre juntos...

Não sei você, mas eu sou fiel... Eu sou Lobo!

Por: Douglas Naegele
Em: 08/01/2007

Açoites


Açoites:


Temerário dia
Profícua noite
Atravesso o umbral
Fugindo do açoite

Os comentários tão cortantes
Como a adaga traiçoeira
Que no muro de um castelo
Empurra-me para o inferno

Derrubadas as masmorras
No colapso do sistema
Desta burguesia torpe
Embriagada pela aparência
Que teima em sustentar

Seleciona agora o tema
A quem a ela se acorrenta
Naufragando na hipocrisia
De uma moral vazia
Totalmente apodrecida

Distorcendo o próprio ego
Aniquilando o eu
Subtraindo a identidade
De um profeta ateu
Que quando muito ainda explora
As palavras como agora
Mesmo que violentado
Sangrando amaldiçoado
Esfolado em plena noite
Na ponta de um açoite


Por: Douglas Naegele
Em: 20/01/2007

Feliz Ano Novo!


Feliz Ano Novo!

Feliz guerra nova!
...Atentado ao metrô na Europa!
...Homem bomba palestino!
...Torres Gêmeas...
...Ocupação do Iraque...
...Teste nuclear norte-coreano!!

Feliz miséria da periferia!
...Exploração de menores...
...Prostituição infantil...
...Violência urbana...
...Ônibus queimado no Rio!!

Feliz desmatamento da Amazônia!
...Buraco na camada de ozônio...
...Aquecimento Global...
...Mídia hipócrita...
...Corrupção nacional!!

Feliz desempregados!
Feliz sem teto!
Feliz burguesia sonsa!
Feliz descaso dela!
Feliz abismo social!

Feliz Ano Novo!


Por: Douglas Naegele.
Em 31.12.2006