sábado, 23 de fevereiro de 2008

Memórias

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Memórias:

Fragmentos intensos

Os quais nos permitem

Guardar para sempre

Coisas que existem... Ou não.

Sorrisos eternos

Palavras obscenas

O corpo suado

A pele morena

Um olhar rotineiro

Saliva de fruta nodosa

Numa manhã tão chuvosa

Na suavidade da rosa

Me entrego... Inteiro.

O silvo da cigarra

O olor da relva molhada

Suspiros da mulher amada

Minha Loba...

Fêmea alucinada

Segredos que persistem

Intrigas que existem

Essas memórias insistem

Por apenas isto que são... Memórias

Que nunca se vão!

(Para Márcia... Minha mulher e minha Loba... Amor Eterno).

Por: Douglas Naegele

Em: 22/02/2008

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Corvo Maldito


Corvo Maldito:


Entorpecido pela dor de sua ida
Obscurecido sem a luz de sua vida
Vago, declinante...
Como matéria consumida
Um epílogo delirante
Mas, ali insistente...
Translúcido...Existente!
Nunca mais, Corvo maldito!


As forças do recomeço
São fagulhas de um isqueiro vazio
Empapando de enxofre
A inutilidade de um abalroado navio
Brilham e não incandescem
Sendo assim, de nada servem...
Nunca mais, Corvo maldito!


Corvo maldito que foi embora
Levou consigo a minha história
Pereço...
Pois, sei que mereço!
Essa derribada trajetória
Mais agora que já tarda
O espectro da madrugada
Volta, volta, volta...
Nunca mais!



Por: Douglas Naegele
Em: 19.03.2007
(Incidental sobre o poema de Edgard Alan Poe: O Corvo).

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Declaração de Um Morto


Declaração de um Morto:




Declaro-me morto!


Não sinto, nem quero nada...


Suma-se com o vento...


Musa decantada!


Recuso-me às notícias


Que em vez de primícias


Contam e recontam dores


Preciosos temores


Declaro-me morto!


Se é que eu vivi...



Por: Douglas Naegele
Em: 04.03.2007

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Clareia


Clareia:

Clareio a Noite
As estrelas no Alto
A Lua ilumina o meu caminho
O verde da terra
O vermelho nos olhos
Vingança fértil
Clareio a noite...

Batalha nas trevas
Da noite dos homens
Guerrilheiros perdidos na Paz do Universo
Torturas na carne, nos ossos de todos...
Vingança fértil
Clareio a noite...

Anjos caídos desonram as damas
Eternas lamúrias daqueles que sofrem
Arregaçados por tanta e infeliz violência
Que arranca de nós a sutil inocência

Clareio a noite... A Noite clareia.
Escurece o dia... Escureceu!

A mordaça silenciosa
Que nos impuseram
Reclamam da dor daquele inocente
Mas não deixam de se carnalizar
Vibrando, pulando... Diversão de dementes!
Quando o povo sofria com as dores sentindo.
Esfolava-se a pele daquele menino

Cada qual o seu canto...
Cada noite o seu manto
Cada monge o seu pranto
Espanto!

Triste fim da melancolia que se encerra em meio de tanta alegria!

Por Douglas Naegele
Em: 24/02/2007
(homenagem ao Carnaval 2007 esquecendo a atrocidade cometida ao jovem João Hélio, 6 anos, arrastado ao longo de 7 km por assaltantes até a morte).