quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Nossa Vontade:

morro_favela

Não apregoam o mistério

Apenas o alcançam

Retumbando nos ouvidos

Tamanho impropério

Do nada... Se cansam

Certa feita, noite a dentro

A falácia enaltecida

Faces magras e empobrecidas

Calam-se diante à tormenta

Pobres almas dessas criaturas

Que haviam silenciado

Engoliram tanta asneira

Uma soma de mentira e besteira

Enloucaram... Quase desistindo

De enfrentar os malditos salafrários

Distribuídos entre o sagrado e o ordinário

Pobres almas...

Da política torpe nada mais esperam

Em desilusão montada aos solavancos

Mesmo inundados pela imundícia não desesperam

Pois, sabem que esses bem falantes

Que mil promessas fazem... Pouco cumprem.

Já que é nas dores do povo

Que esses prosperam

O fim disso tudo é chegado

Se não agora, no tempo certo... Tão esperado.

Do sangue e da lágrima que escorreram do Livramento

Uma sede cresce

Dando um nó na garganta

Vontade que não descansa

Clamando por vingança

Na espreita, a oportunidade

De lacerar, cortar e esfolar toda a impiedade

Embrutecida e pestilenta

Que ceifou a esperança de vida

Em mais um atrocidade violenta

Não serão balas nem fuzis

Mas, organização e luta

Que brotará a dignidade daqueles que ninguém escuta!

Seja feita a nossa vontade...

Por: Douglas Naegele

Versos feitos após a morte de três jovens moradores do Morro da Providência, entregues por quem deveria defender o povo a bandidos de uma comunidade dominada por uma  fação criminosa rival à que comanda o tráfico de entorpecentes no Morro da Providência.

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