Seu Olhar:
Esse brilho que devora
E milimetricamente me explora
Não responde, nem esconde...
O que de palavras é apenas fonte
Abrange todo um ser aflito
Que tão profano e maldito
Insurge-se no infinito
Invadindo meu próprio mito
Um olhar que me expõe
Quão de perto sobrepõe
A desconfiança que carrego
Na angústia de meu ego
O qual se finge fortalecido
Na alcova de meu abrigo
Mas que no fundo se aliena
Sendo digno de pena
Um olhar que me incentiva
E na verdade me cativa
Faz-me dependente de tê-lo
Ainda que de relance vê-lo
Já que para mim é alimento
E ao mesmo tempo: meu tormento!
Como posso eu viver?
Na argúcia do lembrar...
Urge agora receber
O descanso do seu olhar.
Por: Douglas Naegele
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