
Degradação Humana:
Carros passavam a mil por hora
O tempo era curto, sem demora.
Ela estava vagando na beira da estrada
Sentia-se sozinha e abandonada
Nua e descortinada
A vergonha se fora com o tempo
Nitidamente perdida no vento
Arrancado o seu sorriso infantil
Depois de a tantos ser servil
De gato e sapato feita na cama
Na devassa degradação humana
Acabaram-se os dias de menina
Quando tratada feito rainha
Fingia assistir a loura manhã
Brincando de boneca, cuidava da irmã.
Porém, um dia, com fome.
Atende o chamado daquele homem
E por um prato de comida
Sua inocência fora vendida
Os dias se acumularam
Invertidos assim ficaram
O sol raiava com sua chegada
E a noite era posta logo que acordava
Os “tios” sem nome pagavam o preço
Para tê-la envergada, virada do avesso.
No limite da exaustão
Sua mente em confusão
Busca o sacerdócio para ouvi-la em confissão
Porém, como gado ao abatedouro,
Fora vendida a peso de ouro.
Mantendo sua sina contada
Por todos era usada
Direitos? Ainda existiam?
Sumiram-se... Ou dela esqueciam!
Na panacéia nova da vida
Mais ainda ensandecida
Dera um arremete final
Enrolada na grande por um lençol
Morreu rapidamente
Pendurada ao sol
Nem teve tempo de ver
Naquele dia aparecer
A nova estrela de uma série de TV
Muito faceira e até atrevida
Menina bonita... Sua irmãzinha querida!
Por: Douglas Naegele
Em 11/12/2006
Um comentário:
legal, da pra refletir um pouco !
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